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Sou mulher, mãe, esposa, educadora, filha e amiga.
"Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente que duas almas não se encontram ao acaso."

(Antoine de Saint-Exupery)

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Definindo gêneros textuais:

•“tipos relativamente estáveis de enunciados, constituídos historicamente, e que mantêm uma relação direta com a dimensão social” (Bakhtin).
•Os gêneros constituem-se como ações sócias discursivas para agir sobre o mundo e dizer o mundo (Marcuschi, 2002); são considerados entidades sócio-discursivas e formas de ação social da situação comunicativa, construídas por sujeitos que interagem nas esferas das relações humanas e da comunicação (Silva, 1999; Marcuschi, 2002); são instrumentos que fundem a possibilidade de comunicação em formas relativamente estáveis, tomadas por enunciados em situações habituais (Damianovic, 2006); são fenômenos históricos, vinculados à vida cultural e social; são manifestações linguísticas concretas, constituindo textos, que cumprem funções diversas em diferentes situações comunicativas (Dutra, 2006) e contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia (Marcuschi, 2002; Damianovic, 2006).

Tipos textuais: espécie de sequência teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas). (Marcuschi, 2007).

Diferenciação gêneros x tipos:
TIPOS TEXTUAIS
a) São constructos teóricos definidos por propriedades lingüísticas intrínsecas.
b) Constituem sequências linguísticas ou sequências de enunciados no interior dos gêneros e não são textos empíricos.
c) Abrange um conjunto limitado de categorias teóricas determinadas por aspectos lexicais, sintáticos, relações lógicas, tempo verbal.
d) Designações teóricas dos tipos: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição.

GÊNEROS TEXTUAIS
a) São realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sócio-comunicativas.
b) Constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas.
c) Abrange um conjunto aberto e ilimitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e função.
d) Exemplo de gêneros: crônicas jornalísticas, folhetos publicitários, atas de reuniões, relatórios, ensaios, etc.
(MARCUSCHI, 2007, p 23)

Sequências didáticas (SD):

•Conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero oral ou escrito.
•A SD é ainda considerada como um conjunto de sequências de atividades progressivas, planificadas, guiadas ou por um tema, ou por um objetivo geral, ou por uma produção de texto final.

Por que trabalhar com sequências didáticas (Machado e Cristovão, 2006):
•permite um trabalho global e integrado;
•na sua construção, considerar-se-ia, obrigatoriamente, tanto os conteúdos de ensino fixados pelas instruções oficiais quanto os objetivos de aprendizagem específicos;
•contempla a necessidade de se trabalhar com atividades e suportes de exercícios variados;
•permite integrar as atividades de leitura, de escrita e de conhecimento da língua, de acordo com um calendário pré-fixado;
•facilita a construção de programas em continuidade uns com os outros;
•propicia a motivação dos alunos, uma vez que permite a explicitação dos objetivos das diferentes atividades e do objetivo geral que as guia.
Características das sequências didáticas (Machado e Cristovão, 2006):
•objeto do trabalho escolar: a atividade de linguagem relacionada a um gênero utilizado em uma determinada situação de comunicação;
•o trabalho é desenvolvido no interior de um projeto de classe que circunscreve os elementos que caracterizam a situação de comunicação em foco;
•o ponto de partida da sequência é constituído na observação das capacidades e das dificuldades dos alunos;
•os diferentes componentes que entram na atividade de linguagem relacionada ao gênero em estudo seriam trabalhadas isoladamente, por meio de atividades diversas, desenvolvendo-se uma metalinguagem sobre esses componentes e abordando-se o gênero em seus diferentes aspectos (estrutura, unidades linguísticas particulares, elementos do conteúdo etc);
•as diferentes capacidades trabalhadas nas atividades são reinvestidas em uma atividade mais complexa, isto é, na produção de um texto final pertencente ao gênero, efetuando-se novas observações, análises e a avaliação dos progressos conseguidos e das dificuldades ainda não superadas.

Elementos para construção de sequências didáticas (Machado e Cristovão, 2006):
a) as características da situação de produção: quem é o emissor, em que papel social se encontra, a quem se dirige, em que papel se encontra o receptor, em que local é produzido, em qual instituição social se produz e circula, em que momento, em qual suporte, com qual objetivo, em que tipo de linguagem, qual é a atividade não verbal a que se relaciona, qual o valor social que lhe é atribuído etc.);
b) os conteúdos típicos do gênero;
c) as diferentes formas de mobilizar esses conteúdos;
d) a construção composicional característica do gênero, ou seja, o plano global mais comum que organiza seus conteúdos;
e) o seu estilo particular, ou, em outras palavras:
- as configurações específicas de unidades de linguagem que se constituem como traços da posição enunciativa do enunciador: (presença/ausência de pronomes pessoais de primeira e segunda pessoa, dêiticos, tempos verbais, modalizadores, inserção de vozes);
- as sequências textuais e os tipos de discurso predominantes e subordinados que caracterizam o gênero;
- as características dos mecanismos de coesão nominal e verbal;
- as características dos mecanismos de conexão;
- as características dos períodos;
- as características lexicais.

Estrutura de base das sequências didáticas (Schneuwly e Dolz, apud Baumgärtner, 2006):
1. Apresentação da situação: objetiva apresentar ao aluno um projeto de comunicação, tendo em vista uma necessidade real de interação.
•Projeto coletivo de produção de um gênero: qual gênero será abordado para atender uma situação de comunicação definida; a quem se dirige; que forma assumirá; quem participará.
•Preparação dos conteúdos dos textos que serão produzidos.
2. Primeira produção (avaliação formativa – dá elementos que permitem definir pontos de intervenção na aprendizagem e regula as atividades que serão desenvolvidas.
3. Módulos: pesquisas sobre o(s) gênero(s), amostras, levantamento de características, leitura e interpretação (tema, formato, estilo, finalidade, etc).
4. Lista de constatações: registro dos conhecimentos adquiridos.
5. Produção final: avaliação (pelo professor e pelo aluno).
6. Circulação do(s) gênero(s): não perder o foco do social Æ interlocutor!

Referências bibliográficas:
BAUMGÄRTNER, Carmem Teresinha. Os gêneros do discurso como objetos de ensino: uma perspectiva de base enunciativa/discursiva para alfabetização. Oficina ProLetramento. UNIOESTE, Cascavel, PR. 2006.
MACHADO, Anna Rachel. CRISTÓVÃO, Vera Lúcia Lopes. A construção de modelos didáticos de gênero: aportes e questionamentos para o ensino de gêneros. Revista Linguagem em (Dis)curso, vol 6, n 3, set./dez. 2006.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In DIONÍSIO, A.P. e cols. Gêneros textuais & Ensino. 5 ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. P 19 – 36.

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